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O Fã – Ouvi Contar – por Márcio Tito

Quando dinheiro não é problema, o que substitui a questão? A Cultura, a gazeta fm, a credibilidade?

A maior tragédia da vida seria ver coisas inesperadas? A maior agressão (psicológica) à que estamos sujeitos seria…  Vivermos para assistir a todas as nossas expectativas perdendo força!

O problema não é o dinheiro! O problema é que você se vendeu! Que tempo é este onde os súditos cobram qualidade ideológica de seus reis?

Todos fazem, eu sei, mas você que é você, que é alguém para mim, você precisa ser melhor! Eu preciso alçar vôo partindo da pista dos teus acertos. Tua perfeição me eleva. Teus defeitos me tombam, sinto dor e miséria, preciso matar ou morrer – MELHORE!

Marc Chapman mata seu ídolo e fica nu. Nas imediações do crime abre um livro e fala com o Diabo. Aqui, o fã, potencial assassino, através da ação que dribla a violência física, ainda é capaz de ultrapassar a metáfora da nudez e, ativamente, desnudar seu objeto para tomar sua forma material. O vestido é simulacro para nova persona.

Quer reencarnar quem ainda vive.

Colado neste paradoxo, cantar em cativeiro é caber na boca da gaiola.

Surge aqui o único procedimento que a direção propõe. Este acerto foi capaz de ultrapassar o drama e re-configurar sua forma dialógica tradicional, este encontro entre cena e dramaturgia aponta para a mais poderosa intenção do texto (imaginando que se queira um trabalho pautado na contradição radical das personagens ali colocadas em situação).

Quando o texto sintonizar a frequência do momento em que a refém se faz a própria voz do opressor, sem abrir mão da beleza estética do canto, estaremos diante (e dentro) das sutilezas mais contemporâneas e potentes que a dramaturgia apresenta.

 

 

“Diálogos – Crítica Imediata”, feito durante a Satyrianas 2016.

O Fã – Ouvi Contar

Do Coletivo